40 mil Madeleines

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Saiba o que a sociedade brasileira está fazendo para achar seus milhares de perdidos

O caso do desaparecimento de Madeleine McCann mobilizou o mundo. Celebridades do futebol, da literatura e até o Papa se envolveram na busca da garota de quatro anos que sumiu do quarto de um resort português no dia 3 de maio.

O caso Madeleine mobilizou, mais do que tudo, a imprensa. O caso virou novela nos jornais – não só nos diários britânicos, mas em todo canto do planeta. Mas nenhuma linha foi dita, por exemplo, sobre a adolescente angolana do norte de Londres que sumiu há um mês.

Também passam desapercebidos pela imprensa e pelo Papa – embora ocorram com uma freqüência assustadoramente maior – os casos de desaparecimentos de crianças no Brasil. Cerca de 40 mil ao ano somem sem deixar qualquer pista, segundo o governo brasileiro. Seja por desestruturação familiar, rapto, seqüestro, maus tratos, crianças e adolescentes brasileiros ou fogem ou são levados de suas casas sem que a mídia denuncie ou sem que suas famílias recebam apoio popular.

Em um país com mais de 180 milhões de habitantes, encontrar uma criança, que muitas vezes não sabe o nome ou telefone dos pais, é uma tarefa quase impossível. Para tentar contonar a situação, a Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo criou a Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças Desaparecidas (Redesap). No site, as famílias podem incluir fotos e dados de menores desaparecidos.

Algumas vezes, os pais deixam de dar baixa nas delegacias quando as crianças são encontradas, por isso é difícil alcançar um número exato de quantas são as crianças e os adolescentes desaparecidos no Brasil. As estimativas variam de acordo com a fonte. Só a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas, mais conhecida como Mães da Sé, tem um cadastro de 5 mil crianças que estão longe de suas famílias.

A Associação existe desde 1996. Foi criada por iniciativa de duas mães, Ivanise Esperidião da Silva e Vera Lúcia Gonçalves, que se conheceram quando estavam em um grupo de mães de crianças desaparecidasconvidado a participar da gravação da novela Explode Coração, da TV Globo.

Na época, a novela mostrava a história de uma personagem cujo filho havia sumido. Decidida a encontrá-lo, ela resolve se juntar ao movimento Mães da Cinelândia, um grupo de mães que se reunia no bairro da Cinelândia, Rio de Janeiro, com fotos e cartazes de crianças desaparecidas, na esperança de que alguém que as visse pudesse dar alguma pista do paradeiro de seus filhos. Ao final da novela, 113 pessoas haviam sido encontradas, entre crianças, jovens e adultos.

Ivanise e Vera decidiram, então, criar em São Paulo um movimento semelhante, dando origem às Mães da Sé. Sempre aos segundos domingos de cada mês, elas se juntam na Praça da Sé (bem no centro da cidade) para repetir o gesto e a esperança das Mães da Cinelândia.
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