
Risco no Rio
O tradicional jogo de tabuleiro substitui países por favelas
“War in Rio é um jogo-manifesto e uma piada de mau gosto.” Com esta chamada Fabio Lopez lançou polêmica na internet. Baseado no famoso jogo dos tempos de Guerra Fria (War), o designer carioca de 29 anos adaptou a realidade da sua cidade, o Rio de Janeiro, às regras do jogo há muito conhecidas: conquistar territórios ou dizimar exércitos. Nesta versão, territórios são favelas. E os
exércitos...bem, as cores de cada participante equivalem a tomar partido na discussão sobre a
violência urbana. Podem-se escolher a persona Comando Vermelho, Bope ou Polícia Militar,
entre outros lados deste tiroteio.
Menos de 24 horas depois de ter postado o tabuleiro num blog, Fabio recebeu mais de 400 emails.
Vários jornais brasileiros publicaram artigos a respeito. O debate se estendeu ao governo, que passou a discutir se o jogo deveria ou não ser vendido (o que sequer foi uma proposta do designer). A idéia inicial era uma brincadeira entre amigos.
Sensíveis pela estigmatização do Rio como símbolo da violência, muitos cariocas criticaram a “glamurização” do estado de caos da cidade. Apenas uma minoria entendeu o jogo como uma boa ironia e não como interesse comercial. “A passividade mantém tudo em seu lugar”, diz Fabio no seu blog. Não falar sobre o assunto piora a situação.
É verdade que o tabuleiro deforma a realidade de violência do Rio. Naquela representação, só as favelas viram palcos para a guerra. Como se o asfalto não tivesse vínculo direto à situação atual. Mas, certo ou errado, há quanto tempo não se via tamanha repercussão na mídia sobre o Calcanhar de Aquiles carioca, sem que um crime acontecesse nas áreas mais ricas da cidade?
JD by Erika Tambke
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