
Princesas na terra da rainha
Grupo feminino de samba é coroado em Londres
Confesso que, quando primeiro ouvi falar que um grupo chamado Samba de Rainha vinha para Londres tocar no carnaval, pensei: − Ih, mais um grupo de samba com mulheres semi-nuas para reforçar o estereótipo. Não que eu tenha algo contra as mulheres semi-nuas no carnaval, muito pelo contrário. Mas, convenhamos: a imagem da mulata sambando em micro-roupas já está bastante batida. Além do que, o universo do carnaval vai muito além da Marquês de Sapucaí.
Dito isso – após ter confessado aqui o meu preconceito −, posso também admitir a satisfação de estar errado. Bastou pesquisar um pouquinho mais sobre a banda, para descobrir a originalíssima idéia por trás de um grupo de samba formado só por mulheres. E o original se encontra justamente aí: a mulher no grupo não é apenas um adorno, motivo de inspiração ou objeto sexual. Ela assume o papel principal, reinventando um espaço tradicionalmente ocupado apenas por homens. Perguntadas se nunca sofreram algum tipo de preconceito por conta disso, Érica, que toca rebolo, respondeu: “Às vezes, acontece, sim, sob a forma de olhares desconfi ados; você sente, mas é só o show começar para as pessoas se renderem à nossa alegria e amor ao que fazemos”.
O grupo começou como uma brincadeira em casa e acabou virando coisa séria. “Depois disso, tocamos em aniversários e eventos particulares, mas quando nos demos conta, estávamos tocando em eventos de rua, como na Festa União, na quadra da Rosas de Ouro, no Boteco Bohemia, em bares e casas de show; aí não paramos mais” – diz, orgulhosa, Érica à equipe da Jungle.
Agora chegou a vez das meninas fazerem bonito aqui em Londres.
JD por Adriano Espínola Filho
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