
Marajó: Na Natureza Selvagem
Conheça as vastidões de Marajó, uma terra dominada por búfalos, vida selvagem e tecnobrega
Texto: Rafael Guedes
Fotos: João Vianna
Publicada na JungleDrums n.59 Julho 2008
Ninguém sofre tanto no verão como os búfalos que vivem no leste do arquipélago do Marajó. Eles não transpiram e buscam na sombra e na lama refúgio para as altas temperaturas do extremo norte do Brasil. Estranho à fauna do país, ninguém sabe ao certo como foi que estes animais de 700 quilos vieram parar aqui, mas o fato é que hoje os búfalos estão por todas as partes de Marajó.
A tese mais provável é de que tenham sobrevivido a um naufrágio e nadado até ali, fazendo da Amazônia seu novo habitat. E, de visitante improvável, o búfalo se transformou no maior símbolo local, servindo de meio de transporte urbano, fonte de alimento e até viatura policial.
O arquipélago tem somente 14 municípios apesar de suas 3 mil ilhas que, juntas, somam 50 mil quilômetros quadrados – ou 31 Londres. Marajó, a maior das ilhas, é composta a oeste por densas florestas, entrecortadas por rios, com uma estrutura turística incipiente e precária. Ao leste, estão os campos naturais e alagadiços, onde se formam os charcos que servem de refúgio para os búfalos no calor. É nessa região remota e silenciosa que estão os municípios de Soure e Salvaterra, principais portas de entrada para quem quer visitar Marajó. Mas várias fazendas, algumas delas com casarões centenários da arquitetura colonial, oferecem uma vivência mais profunda da cultura marajoara.