
Porto Velho: Uma Viagem à outra Dimensão
Existe a teoria que ninguém contesta que o chá ajuda a purificar o corpo, liberando toda a maldade que cada um guarda dentro de si. Mas diferente dos demais, eu não tinha nenhuma maldade. Você pode não acreditar nesta e outras teorias, mas um fato é verídico. No intervalo da sopa eu resolvi ir ao outro lado do salão para ver como as garotas estavam se saindo. Acabei por beijar minha amiga Blondie. Ledo engano. Fomos avisados, bem educadamente, que isso não era permitido na cerimônia, pois as energias dos dois sexos são diferentes. Dei risada, mas em questão de minutos passei a me sentir totalmente fraco, tão mal que tive de sair de lá enquanto todos bebiam copos grandes de ayahuasca. Todos ficaram até o amanhecer, inclusive um homem que conheceu o pai da Blondie muitas luas atrás e bem distante dali. Ele foi parar em Porto Velho por causa das cerimônias. Talvez pela ayahuasca, mas não se pode culpá-lo. Quase me convenci a ficar também.
O Capitão do Navio da Luz veio até nos se despedir. Ele apertou nossas mãos com muita hospitalidade assim como todos os demais que queriam saber como tínhamos ouvido falar da igreja. Fomos tratados como convidados especiais, nos deram ayahuasca, água, sopa, pão e outras coisas essenciais como calor humano e sorrisos, e não pediram nada em troca. As últimas palavras do Capitão foram sobre nossa noite. Ele nos perguntou por que se precisa de tanto dinheiro quando se pode ter algo assim de graça. Depois riu. Eu não tinha como contra-argumentar.
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