
Porto Velho: Uma Viagem à outra Dimensão
Ayahuasca - A psicodélica religião da Amazônia
Texto: Adam Hirst
publicado na JungleDrums n.57 Maio 2008
Uncle Mad vive no meio do nada. Quando se conhece alguém que vive no meio da floresta e conhece tudo por lá, seria bobeira minha estar na Amazônia e não aproveitar para fazer-lhe uma visita. Chegar ate lá parecia uma grande aventura, a viagem desde Manaus levaria quatro dias de barco na companhia de cabras ou então um rápido vôo por apenas trinta mangos a mais. Aventureiros pero no mucho. Resolvemos voar.
Dinheiro muito bem gasto, sobrevoar a Amazônia é uma experiência única. Por ser uma região de clima bem úmido, o céu estava carregado, mas quando as nuvens se dissiparam tudo o que vimos era um verde até se perder no horizonte, interrompido apenas por rios sinuosos que cortam mata adentro. Uma beleza difícil de descrever apenas com palavras.
Longo Caminho
A cidade de Porto Velho fica às margens do Rio Madeira, um dos principais afluentes do Rio Amazonas. Tudo começou com a idéia maluca de se construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré, que escoaria a colheita da borracha direta dos seringais, atravessando rios e cachoeiras, para ser exportada para a Europa. Milhares morreram durante sua construção e após anos de prejuízo foi abandonado.
Nossa visita durou pouco mais de uma semana, mas o lugar deixou lembranças em nós quatro que vão durar a vida inteira. Conhecemos a família do Uncle Mad (por incrível que pareça, eram todos normais). Ele deixou de viver com três esposas e agora só tem uma, mas filhos desses casamentos e com outras mulheres viviam aparecendo na casa – “meu filho!” (Mais um?). Fomos à escola, fomos à igreja, dirigimos pela cidade, acampamos e passeamos de barco. Se isso parece a rotina de bons garotos em um acampamento de verão, posso garantir que nossas aventuras foram muito mais além.
O filho mais velho nos levou para passear em um fusca emprestado de um amigo. Fizemos trilhas por rotas históricas e paramos para conhecer um rio. Logo nos vimos na companhia de três mulheres de diferentes idades que acenderam velas, cantaram preces em um idioma estranho e jogaram oferendas na água. Ficamos quietos imaginado para qual orixá eram as oferendas e qual orixá estaria escutando aquilo tudo. Elas deixaram comida, bebida, presentes e incensos, provavelmente para Iemanjá, a deusa dos mares. Tá certo que dali pro mar é um longo caminho, mas cada um se defende como pode.