Das ruas para a galeria - Grafiteiros tomam a embaixada brasileira em Londres

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Os caras levam esse trabalho de transpor o grafitti das ruas para a galeria bem a sério. Segundo Tinho, Pato e Flip, assim que a arte deles é posta entre quatro paredes, o termo “arte de rua†não passa na porta. “Diferentes pessoas vêm aqui para analisar seu trabalhoâ€, diz o Flip. “Eles vão reparar em coisas que quem está passando na rua não vêâ€, completa. Mesmo assim, os três não parecem sucumbir diante a pressão dos novos observadores. Flip grafita desde 1997 e Tinho ainda se lembra de como era ser um artista durante a ditadura militar. “Pato começou um pouco depois da genteâ€, Flip brinca.

Talvez o mais falante, Tinho está sempre contando anedotas da censura que ele sofreu pessoalmente, principalmente em lugares inesperados: “Me foi pedido para pintar a parede de um bar, nada chique, um bar comum, e eu queria mostrar como muita gente na época estava falando sobre assuntos ecológicos, mas ninguém fazia nada a respeito. Então eu desenhei algo que representasse essa hipocrisia. Quando voltei ao bar dias depois, tinham apagado meu desenhoâ€.

Tinho diz que talvez a censura não é limitada somente aos governos e, quanto mais os três conversam, me parece claro que os três são super envolvidos nas questões que eles representam em sua arte. Isso é o mais inspirador no trabalho deles, esse convite à discussão inteligente social e política através de um meio que fala, crucialmente, à geração mais jovem.
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