Recife: Veneza sem Gôndolas

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Longe das praias, o rio Capibaribe é venerado por músicos poetas e escritores

Texto: Bill Hinchberger
Fotos: Bruno von Söhsten
publicada na JungleDrums n.56 Abril 2008


Para um lugar normalmente vendido para os turistas apenas como cidade de sol e praia, os filhos pródigos de Recife preferem destacar a beleza (assim como os problemas) de seus rios e pontes.

“Rios, Pontes e Overdrives†é uma das principais canções do legado deixado pelo visionário do movimento manguebit, Chico Science (e sua banda, Nação Zumbi), que faleceu há mais de uma década. Lenine, outro recifense, dá novo sentido à poesia concreta em sua canção intitulada simplesmente “A Ponteâ€, composta em parceria com Lula Queiroga: A ponte não é de concreto; não é de ferro/ Não é de cimento/ A ponte é até onde vai o meu pensamento. O veterano grupo folclórico Quinteto Violado tem em seu repertório uma homenagem ao principal rio da cidade: Afoga os dias do calendário/ Naufraga os homens no salário/ Vai cheio entre mãos vazias/ O Rio Capibaribe.

De forma mais épica, João Cabral de Melo Neto narra a saga do pobre retirante sertanejo que navega pelas águas do Capibaribe em busca de uma vida melhor na cidade no clássico “Morte e Vida Severinaâ€.
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