Digital Democracia

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Oferecer computadores para jovens de baixa renda pode ser uma ferramenta de inclusão social, nos conta Rodrigo Baggio, criador do Comitê para Democratização da informática (CDI)

Em 1993, o carioca Rodrigo Baggio sonhou com jovens de baixa renda usando computadores para discutir a própria realidade e solucionar problemas. Acordou, ainda com flashes do que havia imaginado, e colocou a mão na massa. Treze anos depois, o Comitê para a Democratização da Informática (CDI) tem 965 escolas no Brasil e já chegou a oito países. Baggio já recebeu mais de 30 prêmios e recentemente participou do Principal Voices, projeto organizado pela CNN em que dez personalidades debatem os desafios do mundo de hoje. Este mês ele participa de uma mesa redonda em Aspen, nos EUA, ao lado da vencedora do premio Nobel da Paz, Wangari Maathai. Com a agenda apertada, Rodrigo Baggio contou à Jungle sobre o desafio de ser empreendedor social e sobre a relação com o governo Lula.


Como surgiu o projeto Comitê de Democratização da Informática?

A historia do CDI tem muito a ver com a história da minha vida. Comecei essa caminhada aos 12 anos, quando meu pai me deu meu primeiro computador. Fiquei fissurado com a tecnologia e aprendi a usar o computador sozinho. Foi a minha primeira grande paixão. Na mesma época comecei a trabalhar como voluntário com meninos de rua, junto à Arquidiocese do Rio de Janeiro. Aos 24 anos já tinha minha empresa de informática bem estruturada no mercado, mas não me sentia realizado porque não sobrava tempo para ser voluntário. Queria mudar, mas não sabia como. No final de 1993 sonhei com jovens pobres discutindo sua realidade e usando a tecnologia pra melhorar a vida. O sonho apontou uma direção e resolvi apostar nesse caminho.


Qual foi o passo seguinte?

Criamos, em janeiro de 94, a campanha de doações de computadores Informática para Todos, a primeira da América Latina. Eu recebia computadores, fazia manutenção e doava para as comunidades carentes. Seis meses depois pensei na criação de uma escola de informática e cidadania. Em dezembro comecei a subir o morro Santa Marta para captar jovens interessados e formei parceria com o centro de ajuda da Igreja Católica na comunidade. Em março de 1995 inauguramos a primeira Escola de Informática e Cidadania (EIC), com mais de 300 jovens inscritos.
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