
BRASÍLIA TEIMOSA - Exposição em Londres retrata a comunidade mais teimosa do Recife
A invisibilidade da comunidade para a classe média recifense desapareceu de repente, quando uma reurbanização iniciada no ano de 2004 removeu as frágeis habitações de madeira da região e colocou uma avenida que, batizada de “Brasília Formosa”, em pouco tempo se transformou em forte atração para as comunidades vizinhas: nos domingos, famílias inteiras se instalam na areia que margeia o asfalto em busca de diversão.
A idéia de documentar a transformação ocorrida na vida daquelas pessoas se somou a uma vontade antiga que eu tinha de fotografá-las em seu próprio contexto, visualmente rico em contradições e questionamentos a respeito de toda sorte de regras sociais. Comecei a fotografar em 2005, comissionada por uma fundação de cultura da cidade que para minha felicidade apostava que dali sairia uma exposição para um salão de artes do estado de Pernambuco.
As primeiras investidas que fiz em Brasília Teimosa, num dia de domingo, sozinha e com uma câmera digital compacta na mão, tinham a intenção de mapear as figuras e situações que me chamassem a atenção. E como eu não queria chamar atenção de ninguém, obtive em meus primeiros estudos registros bem tímidos de pessoas que apareciam à distância, de costas, e que nunca olhavam pra mim.
A luz forte na praia freqüentemente me punha em condições difíceis para fotografar. Percebi então que aquelas composições sem graça ganhariam força se eu as destacasse com o uso de outra luz, como um contraponto ao sol. Logo precisava de um flash, e com ele veio a necessidade de ter a companhia de alguém do próprio bairro.
A partir daí tomei um caminho diferente, porque Charles (meu assistente) conhecia todo mundo e me deixou mais à vontade para pedir às pessoas para fotografá-las.