
Recife: Volunturismo - Uma maneira diferente de se viajar
Experiência de vida ou roubada? DJ Cliffy conta as histórias e dá dicas de como fazer turismo voluntário no Brasil sem cair em nenhuma cilada
Texto: Dj Cliffy
publicada na JungleDrums n.44 Abril 2006
São seis da manhã e me encontro sentado tomando um cafezinho no aeroporto dos Guararapes em Recife. Passei a noite inteira em branco e pela lógica deveria me sentir exausto, no entanto, nunca me senti tão bem. Acabo de discotecar em uma festa que celebrou o encerramento de uma série de workshops para crianças de rua. Ao longo de quatro dias, 50 crianças tiveram contato e aprenderam percussão, danças afro-brasileiras e até técnicas de discotecagem. Ao término elas ganharam um certificado, uma camiseta descolada e vários sorrisos estampados.
Os workshops marcaram o fim de minhas duas semanas de voluntariado na pequena mas empenhada ONG Ruas & Praças. Durante esse perÃodo visitei uma fazenda orgânica, participei de uma reunião de mães e acompanhei o serviço social em uma favela. Foi uma das experiências mais recompensadoras que tive em muitos anos.
Minha história não é muito diferente da de milhares de pessoas que se apaixonaram pelo Brasil. Durante a última década, o paÃs se tornou um dos principais destinos de programas de voluntariado para estrangeiros. Procure no Google, por exemplo, â€volunteer Brazil†e você vai se deparar com uma avalanche de sites, muitos oferecendo programas a preços extorsivos. Esses sites lucram com seu dinheiro usando uma marmelada com o nome de ‘programme fee’ (taxa do programa). Entrei em contato com uma dessas companhias para pedir explicações sobre a distribuição do dinheiro e nunca obtive resposta.
Conheci outra voluntária, Angie M., que pagou £750 por duas semanas de voluntariado em um projeto de ensino musical em Olinda e acabou por descobrir que nem uma gota desse dinheiro chegou à s mãos da escola. E as famÃlias que hospedavam os voluntários também não recebiam pagamento há meses. Para ela, antes de tudo, é importante se informar muito bem sobre o destino de todas as taxas. “Seja bem especÃfico ao questionar qualquer agência ou companhia. Pergunte a eles exatamente como seu dinheiro será distribuÃdo. Faça com que expliquem por e-mail, não que isso tenha validade legal, mas pelo menos demonstra que você não é otário. Se eles não têm nada a esconder, você terá todas as repostas que precisaâ€.
Sua revolta foi ainda maior ao notar que o programa de ensino de música sempre se transformava em aulas de inglês. E nenhum voluntário jamais havia dado aulas de música na escola. Por ter pago todas as despesas em adiantado, ela não teve como recorrer e acabou até contribuindo com uma doação à escola.
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