
GROOVE DE SALTAR OS OLHOS COM SARAVAH SOUL
Não tem essa de Elvis Presley. Quem não morreu foi o disco Movement.
Não estou falando de revivals do R&B e do Soul nas pistas de dança; nem do globo de espelhos brilhantes. Não estou falando do Samuel Jackson interpretando Shaft no cinema; nem de Jackie Brown e sua trilha sonora jive-soul. Tô falando de sangue novo no pedaço. Gente que, com maestria, está trazendo à tona toda essa bagagem musical citada acima (excluindo-se, claro, o Elvis) com um toque totalmente novo.
Saravah Soul é uma banda recente cujo talento maior não é um mero movimento retrospectivo do R&B. O grupo de oito integrantes tem uma aptidão incrÃvel para misturar o swing tÃpico de James Brown com o melhor da música regional brasileira, como o Maracatu, o Coco e o movimento Mangue beat como um todo. A batucada, a cuÃca e o agogô inseridos nas músicas de base funk combinaram super bem com os metais como trombone, trompete e sax.
A mistureba não fica gratuita. Os estilos musicais do Saravah Soul são muito ecléticos. A música Oil is Thicker Than Blood por exemplo, tem uma levada totalmente James Brown, enquanto Arroz com Feijão lembra Caetano Veloso e It's doing my head tem um toque de Jorge Ben Jor (os dois últimos são músicos respeitados no Brasil).
Entre no myspace deles (myspace.com/saravahsoul) para ouvir as músicas que estão disponÃveis para download. Não posso te levar a sério (Tru-Thoughts) é o álbum debut da banda, que é metade brasileira, metade inglesa. As faixas são vivas, impossÃveis de serem ouvidas sem dar pelo menos aquela balançadinha. Além disso, as letras (algumas cantadas em português) são bastante inteligentes.
Se ouvir Saravah Soul nos seus earphones ou numa pista de dança já pode ser estimulante o suficiente, mais ainda são os shows ao vivo da banda. Otto Nascarella, que é o principal vocalista, tem uma energia que parece inesgotável e faz incrÃveis apresentações de break dance no palco.JD
Texto: Mariana Landau | Foto: Claudio Soriano