
MINAS GERAIS E SEUS TESOUROS
Percorrer a Estrada Real é um atalho para história, aventuras e gastronomia
Texto: Ana Wambier and Gabriel Silvestre | Fotos: Acervo Instituto Estrada Real
À beira do último trecho de terra da estrada que sai da cidadezinha de São Bartolomeu, um totem de informações indica que faltam três quilômetros para alcançar Ouro Preto. Se existisse há trezentos anos, seria um alívio aos funcionários da Coroa Portuguesa e aventureiros, que assim saberiam que faltaria pouco para chegar à cidade mais rica da colônia. Hoje, quem aproveita a sinalização efi ciente da histórica Estrada Real são os viajantes que, a bordo de seus veículos 4x4, mountain bikes e cavalos, estão próximos de terminar a trilha do Caminho Velho.
A Estrada Real começou a ser construída ao fim do século XVII com o objetivo de escoar o ouro encontrado nas jazidas do estado de Minas Gerais para o litoral, onde embarcavam rumo ao velho continente. A primeira via de acesso, o Caminho Velho, ligava Paraty a Ouro Preto, mas tempos depois seria substiuída por um trajeto mais curto, o Caminho Novo, até o Rio de Janeiro. Posteriormente, com a descoberta de diamantes na região de Diamantina, uma nova extensão seria feita e daria à Estrada Real seu formato de ‘Y’ invertido com um total de 1.633 quilômetros.
Hoje, um dos indutores do percurso é o Instituto Estrada Real, uma sociedade sem fins lucrativos e criada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) com o intuito de fomentar o turismo e oportunidades de negócio nos municípios por onde atravessa.
à maneira antiga | A estrada é longa, por isso, as atrações são inúmeras. Do extremo norte em Diamantina, até o seu ponto final, no litoral do Rio de Janeiro, o caminho da Estrada Real passa por locais que parecem ter sido congelados no período colonial como as Cidades Históricas de Diamantina, Ouro Preto, Mariana e Tiradentes, todas com um e impressionante patrimônio de arquitetura barroca e calçamento de pedra. Além disso, atravessa-se, durante o percurso, uma dezena de parques nacionais e reservas naturais de mata atlântica, que guardam belíssimas cachoeiras, rios e cavernas.
Uma das maneiras mais interessantes de percorrer o trajeto é à maneira dos antigos exploradores, através de cavalgadas que passam por dentro das fazendas da região, com visitas a cachoeiras, hospedarias e cidades históricas. Diversas operadoras oferecem excursões em grupo, com guias experientes que guiam o caminho e contam detalhes curiosos da história e da natureza local. Existem passeios de um dia que exploram com profundidade determinadas áreas ou até viagens mais longas, que visitam diversas cidades com pernoite em pousadas. Muitas operadoras de turismo são fl exíveis, atendendo quem prefere um toque mais personalizado. Fábio Gontijo, da Master Operadora, conta que os passeios a cavalo podem ser feitos sob encomenda, de acordo com o gosto do viajante. “Fica a critério do turista, oferecemos passeios customizados. Tem gente que vai de Paraty a Diamantina de cavalo e gente que quer apenas um passeio rápido.” Uma viagem de aproximadamente 4 dias custa em torno de £400, incluindo hospedagem e passeio. Segundo Rogério Mendes, do Instituto Estrada Real, o caminho feito de seu início até o final demora mais ou menos 21 dias, tempo sufi ciente para conhecer calmamente as atrações de cada lugar. Mas para quem não tem muitos dias, pode-se escolher apenas um trecho. Uma boa opção é o caminho que vai de Paraty até Tiradentes, ao longo do Caminho Velho, que pode ser feito em cinco dias, ou até menos, se feito com veículo 4x4.