
QUEM SERÁ O NOVO REI? Existirá um novo Pelé na nova geração?
Adeus, mamãe | A saída precoce de jogadores como Pato e Robinho de seus clubes não impressiona mais os brasileiros, já acostumados a ver seus craques partirem para a Europa. No final do ano passado mais uma grande promessa, o zagueiro Breno, trocou o São Paulo pelo Bayern de Munique com apenas 18 anos.
São raros os que conseguem ficar no país por muito tempo. Atualmente os grandes destaques atuando no futebol local são os meias Thiago Neves, do Fluminense – e que já teve uma breve passagem pelo futebol japonês – e Hernanes, do São Paulo FC, além do atacante Lulinha, do Corinthians. Os dois últimos tiveram seus contratos renovados recentemente, para elevar o preço da multa contratual. Seus clubes fizeram isso para lucrar mais com uma possível e inevitável negociação com times europeus.
Mas o assédio dos clubes europeus em busca do “novo Pelé” não é o único motivo do êxodo dos jovens craques brasileiros; os jogadores também têm como meta chegar à Europa – ou a algum outro país que pague mais. Os times brasileiros vivem, em sua maioria, com dificuldades financeiras, e não conseguem competir com os dólares e euros dos gringos.
“Ir para a Europa cedo foi a realização de um sonho. Tenho consciência de que no Brasil jamais teria a mesma tranqüilidade financeira que tenho agora. Tenho tranqüilidade para planejar minha vida daqui para frente, tenho uma estabilidade e aquilo que alguns chamam de independência financeira”, diz o zagueiro Lima, de 22 anos, que trocou o Atlético Mineiro pelo Betis (Espanha) no ano passado.
“Não fui tão novo assim para a Europa, né? Hoje tem menino que vem pra cá com 17, 18 anos. Eu vim com 22, sou quase um veterano nesse mercado”, acrescenta o jogador.
Lima está certo. Além dos exemplos de Breno e Alexandre Pato, dois jovens abandonaram recentemente seus clubes, ainda mais novos que o zagueiro. O meia Anderson, hoje no Manchester United, se transferiu do Grêmio para o Porto com 17 anos, em julho de 2005 – mas, assim como Pato, só pôde atuar após completar 18 anos. E o volante Lucas, que atua no Liverpool, saiu com 20 anos do mesmo Grêmio, após ser vice-campeão da Libertadores.
Muito jovens ou não, o número de jogadores que sai do Brasil aumenta a cada ano. Em 2007, de acordo com dados da Confederação Brasileira de Futebol, 1085 jogadores brasileiros saíram do país. No ano anterior, 851 atletas haviam deixado o futebol brasileiro.
O maior destino é mesmo a Europa. E o resultado é que o Brasil possui o maior número de jogadores na principal competição de clubes do mundo, a Liga dos Campeões. Em 2007, foram 98 os jogadores brasileiros inscritos no torneio (a França é o segundo país com mais atletas – 64 jogadores).