QUEM SERÁ O NOVO REI? Existirá um novo Pelé na nova geração?

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O Brasil exporta milhares de craques todo ano, surgirá um novo Pelé dentre eles?

Words: André Barros e Alex Xavier

Final do campeonato brasileiro de 2002, 35 minutos do primeiro tempo. Robinho, então com 18 anos de idade, recebe a bola no meio campo e parte para cima do zagueiro do Corinthians. Em seguida, faz história: dá uma série de pedaladas, dribla e sofre pênalti. Ele mesmo cobra e marca o gol que ajuda o Santos a vencer o seu primeiro campeonato brasileiro. Na cabine de transmissão, o narrador da TV que transmitia o jogo exclama: "será que o raio caiu de novo no mesmo lugar?". Ele se perguntava se um Pelé novamente surgia no Santos. Robinho é craque, mas o raio não caiu de novo. Será que o raio vai cair novamente um dia no futebol brasileiro?

Desde que Pelé se aposentou, muitos garotos brasileiros surgiram com a sombra de substituto do Rei do Futebol. Mas muitos mesmo. O Brasil fabrica centenas de craques por ano. No entanto, a maior parte dos novos jogadores vão para o exterior. A exportação de jogadores, hoje em dia, gera mais receita do que as vendas de frutas para outros paises, por exemplo.

Na época de Pelé as coisas eram diferentes. A seleção de 1958, que conquistou a primeira das cinco Copas do Mundo para o Brasil, na Suécia, era formada apenas por jogadores locais. No dia 26, em Londres, um amistoso entre as duas seleções finalistas do torneio – Brasil e Suécia – comemorará os 50 anos da primeira conquista da seleção verde e amarela. A maior parte dos jogadores em campo com a camisa brasileira na data joga atualmente na Europa.

Além de Robinho, principal jogador na conquista da Copa América pela seleção brasileira no ano passado e um dos grandes nomes do Real Madrid, os brasileiros apostam as fichas em outro jovem, que recém completou 18 anos. Alexandre Pato, atacante do Milan, é visto como o novo fenômeno brasileiro.

Pato surgiu no SC Internacional no final de 2006. A equipe era a atual campeã da Copa Libertadores (a versão sul-americana da Champions League européia). Estreou no time principal com 17 anos, contra o Palmeiras, nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. No primeiro minuto como profissional marcou um gol. Acabou sendo o destaque da partida com dois gols, duas assistências, dribles desconcertantes e uma bola na trave. Tudo isso no estádio do adversário.

A torcida e a imprensa pressionaram, e Pato acabou sendo escalado para disputar o Mundial de Clubes. Seu segundo jogo como profissional foi na estréia do Internacional na competição, contra o Al-Ahly. Pato abriu o marcador e quebrou o recorde de Pelé e se tornou o jogador mais jovem a marcar gols em uma competição oficial da FIFA. O jovem tinha 17 anos e 102 dias; Pelé marcou seu primeiro gol contra o País de Gales na Copa da Suécia, quando tinha 17 anos e 239 dias.

Seu terceiro jogo como profissional foi a final da competição, contra o Barcelona. Apesar de não marcar gol, Pato atuou bem e se tornou campeão mundial de clubes. Menos de um ano depois foi contratado pelo Milan por US$ 20 milhões (terceira maior transação da história do futebol brasileiro, só atrás de Denílson e Robinho, que também saíram muito jovens) e herdou a camisa 7, que pertencia a Shevchenko. Em sua estréia oficial, ajudou o time a golear o Napoli por 5 a 2, e marcou dois gols.

Pato foi convocado para a seleção brasileira principal pela primeira vez no início deste ano, para um amistoso contra a Irlanda. Por conta de uma lesão, foi cortado. Sua estréia pode ter sido adiada para a comemoração dos 50 anos do primeiro título mundial brasileiro. Nada mais propício para alguém que em tão pouco tempo já bateu algumas marcas do Rei do Futebol, consagrado contra a seleção sueca.
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