NA MIRA DA AUDIÊNCIA - A JungleDrums lança Cine Clube para vasculhar nossa dura realidade
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Sucesso apesar de tudo, essa é provavelmente a melhor maneira de descrever o que
Tropa de Elite (de José Padilha) alcançou na última edição do 58º Berlinale, o maior festival de filme do mundo. O filme abocanhou o mais alto prêmio do evento, o Urso de Ouro de melhor filme, deixando para trás favoritos como
There will be violence (P.T. Anderson) e o inglês Happy-go-Lucky (Mike Leigh).
A obra de Padilha é uma semi-ficção dos métodos extremos utilizados pela polícia especial do Rio,
conhecida como BOPE, e recebeu muitas críticas da imprensa internacional pela sua crua interpretação da violência.
A revista americana Variety chamou o filme de "um recrutamento para brutamontes fascistas". Outros acusaram-no de estímulo à violência nos maiores cinemas americanos, assim como os filmes
de Tarantino. Todos esses críticos falharam em reconhecer que a violência representada no cinema
brasileiro é baseada em acontecimentos diários, fatos reais, e que isso tem causas sociais - diferente dos filmes de Tarantino, que são subprodutos da imaginação do diretor.
Outros filmes recentes como
Cidade de Deus (Fernando Meirelles) e
Ônibus 174 (do próprio Padilha) também retrataram fielmente a triste e violenta realidade do Brasil e a vulnerabilidade de seus cidadãos. Ambos são parte da seleção de filmes do
Jungle CineClub (leia mais ao lado).
Glauber Rocha tratou do mesmo tema quatro décadas atrás em
Deus e o Diabo na Terra do Sol, um dos filmes brasileiros mais influentes de todos os tempos. De acordo com Rocha, "a violência é a mais genuína manifestação da fome". Os críticos que detonaram Tropa de Elite provavelmente escreveram seus textos de estômago vazio.
JD
Texto: Victor Fraga
P.S - PARA O DELEITE DO CINECLUBE DA JUNGLE uma noite mensal que irá apresentar o melhor do cinema brasileiro em Bethanal Green's Rich Mix.
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