BCA: O Sonho Acabou - O Brazilian Contemporary Arts fecha as portas

O Brazilian Contemporary Arts (BCA) fechou suas portas depois de 27 anos divulgando a arte contemporânea brasileira em Londres. Um email intitulado “The Dream is over†enviado pelo BCA a alunos e freqüentadores comunicou a interrupção de suas atividades culturais e educacionais. Quem acompanha o trabalho da instituição há algum tempo afirma que o BCA revelou o Brasil para os ingleses, mostrando que lá existe muito mais que Samba.

Outras 184 instituições estão na mesma situação. O Arts Council, uma agência governamental inglesa que financia organizações culturais na Inglaterra, cortou a verba de todas elas e chacoalhou o mundo das artes no país. Sem os £80 mil recebidos anualmente do Arts Council, o BCA ficou paralisado . A receita não passava de £100 mil por ano. O Central London Arts Ltd (Drill Hall) também foi afetado pela decisão e não receberá mais a generosa ajuda anual de £250 mil. A entidade iniciou uma campanha para arrecadar doações.

No caso do BCA, uma das justificativas dadas pela agência seria a falta de equipamentos que possibilitassem o acesso de usuários de cadeira de rodas a todas as atividades e eventos . "Isso não é verdade", contesta a chefe-executiva do BCA, Edna Crepaldi.“Todos os nossos eventos acontecem em lugares com facilidades de acesso para deficientes, como Royal Albert Hall e London Paladium. Um dos nossos diretores é deficiente e usa nossos equipamentos diariamente".

A instalação de uma cadeira que funciona como elevador foi feita há dois anos com a mudança de sede para Chiswick. Apesar de reconhecer as adaptações feitas pelo BCA, o Arts Council permanece irredutível.

Edna conta que o comunicado de suspensação chegou em dezembro do ano passado, sendo que a última parcela de subsídio será recebida em março. Já o Arts Council enfatiza que - apesar de ter dado um aviso de apenas três meses - todas as 185 organizações foram alertadas em outubro. “Nós fomos comunicados que poderia acontecer uma redução do valor, mas não um corte total da noite pro diaâ€, protesta a chefe-executiva do BCA. Vinte e sete entidades tiveram a verba reduzida e outras 65 organizações integram a nova lista de beneficiários.

Outro argumento usado pela agência para o corte da verba teria sido uma insuficiência no número de eventos organizados pelo BCA para justificar o valor recebido. Graça Fish, que trabalhou como voluntária no centro cultural por quatro anos, diz que a justificativa do Arts Council não tem fundamento. "A diminuição do número de eventos é resultado de uma competição natural com outras instituições brasileiras".

Edna diz ainda que advogados consultados afirmaram que o Arts Council agiu errado. “Eles disseram que os motivos alegados pelo Arts Council não procedem e que a decisão deveria ter sido comunicada com muito mais antecedência."

O “Disinvestment Policy†do Arts Council (guia de procedimentos para corte de subsídios) diz que as instituições devem ser comunicadas com o prazo mínimo de seis meses. A assessoria de imprensa do Arts Council enfatiza que o documento não necessariamente precisa ser seguido à riscaâ€

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