Nada se ficar parado

Do 17th andar de seu apartamanto, DJ Dolores tem uma vista privilegiada de Recife, cidade que adotou e serve de inspiração desde 1984. A visão se estende do Rio Capibaribe até o histórico Quarteirão Holandês onde marinheiros e boêmios se misturavam nos bons velhos tempos.

Assim que chegou de Sergipe (sua cidade natal), ele desenvolveu uma relação de amor e ódio com o local. “Aqui é meio ingrato, não há clubes e toco pouco. A solução é trabalhar fora da cidade. Mas eu sempre volto, a cidade é minha inspiração".

A falta de espaço fez com que o DJ começasse a organizar festas na parte baixa da cidade, local de prostituição, o que inevitavelmente se transformou em um negócio arriscado. Ele lembra que uma vez, um navio russo estava ancorado no porto, e todos os marinheiros rumaram em direção ao bordel que havia sido alugado para uma festa privada. "Eles não falavam português e eu muito menos russo. Dessa maneira, ninguém conseguiu explicar aos marujos durões que aquilo se tratava de uma festa particular. Até que fi nalmente um dos russos apontou uma arma para um dos DJs e gritou: Vão se foder, comunistas!”.

O lançamento do terceiro álbum, Um Real, mostra Dolores mais maduro com produção e composição. “Este é meu disco mais autoral. Há poucas parcerias, portanto compus, arranjei e produzi tudo. Do jeito que quis. Representa um avanço em comparação com os anteriores”, enfatiza. Ele analisa que da mesma maneira que sugere o título, “é um disco inspirado pelo sons baratos da cidade desses que se encontra nos camelôs em CD-Rs. Há uma boa quantidade de vendas a baixo custo pois é um negócio informal, sem verbas astronômicas de marketing”. JD

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cliffy, dj, recife

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