Hora de unir - A publicitária que saiu de Londres para ajudar ONGs no Brasil
Texto: Yami Trequesser
Philippa White trabalhava em Londres, foi passar férias em Olinda com o namorado brasileiro e aí ‘click’. Durante a viagem ela teve a idéia de criar o The International Exchange (TIE), programa de treinamento para levar profissionais de publicidade ingleses para trabalhar em organizações não-governamentais e de caridade no Brasil. “O TIE é um programa de treinamento para profissionais da área de publicidade que incentiva o uso do conhecimento profissional de uma forma diferente e ainda força esse profissional a lidar com situações desafiadoras que não fazem parte do seu cotidiano”, diz a publicitária, que nasceu na África do Sul, mas cresceu no Canadá.
Para tornar essa idéia realidade, ela voltou a Londres, falou com diversos profissionais de publicidade e descobriu que eles estavam interessados em participar de uma iniciativa relacionada com responsabilidade social. Após ter certeza de que existia uma demanda na Inglaterra, Philippa morou seis meses no Brasil e chegou à conclusão de que havia a mesma demanda por lá. “É chocante”, diz ela, “muitas ONGs e instituições de caridade não entendem de publicidade e como ela pode aumentar a conscientização sobre os serviços oferecidos e a organização que dirigem”.
O primeiro a participar do programa da TIE foi Chris Jackson diretor de contas da agência Leo Burnett. Chris foi trabalhar com a agência MartPet e a Gestos, ONG que cuida de portadores de HIV, em Recife. O segundo piloto teve Penny Brough, diretora de contas da Wieden + Kennedy, que foi trabalhar na comunidade do Cabo com a agência Arcos e a Plan, organização transnacional inglesa que tem como objetivo comunicar os direitos das crianças. Ambos estudaram português antes de ir ao Brasil, mas acabaram falando inglês na maior parte do tempo. “Por isso as empresas com as quais trabalhamos no Brasil têm que ter algum elemento de inglês”.
Ela tem planos de expansão mundial, mas tudo vai depender da logística. “Por exemplo, os profissionais que estão indo ao Brasil têm de fazer um dia de programa preparatório aqui na Inglaterra, onde ficam conhecendo mais sobre os países em desenvolvimento, o que é uma ONG,
como vai ser a vida lá e o que podem esperar em termos de diferença cultural – e quando chegam ao Brasil eles recebem mais dois dias de treinamento”, diz a publicitária. “Então, se uma empresa de Nova York quer participar do programa, ou ela terá que fazer o profissional voar até Londres, ou teremos que ter alguém para dar esses treinamentos em Nova York. É esse tipo de logística que teremos que organizar antes de expandirmos.”
Durante o programa, os publicitários fazem também um diário no qual guardam suas impressões da experiência que tiveram com as ONGs. E no final existe uma avaliação que mostra para o TIE se eles conseguiram atingir seus objetivos ou não. O TIE também busca criar oportunidades para que esses profissionais possam fazer apresentações em lugares como o Institute of Practitioners of Advertising (IPA). O objetivo é não somente compartilhar a experiência que tiveram, mas também conscientizar sobre a situação do Brasil para o mundo. JD
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