Oscar Niemeyer: O Mestre das Curvas

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Um passeio pelas cidades brasileiras revela a importância e a beleza de Oscar Niemeyer

Texto: Gabriel Silvestre
Foto: Andreas Euringer
publicada na JungleDrums n.54 Fevereiro 2008


Centro de São Paulo, seis e quinze da tarde. O trânsito, como de costume, anda lentamente e Valéria, com um olhar desanimado, dá a seta de seu Golf vermelho e entra à direita na Avenida Ipiranga. A visão não é nada animadora: os carros se multiplicam até onde a vista alcança na infinita subida da Avenida Consolação. Como que em busca de alento ela olha para cima e o que vê provoca um sorriso no canto dos lábios. “Não me enjôo de olhar o Copan†– desabafa a contadora – “parece uma bandeira tremulando ao vento, dá uma sensação de alívio no meio de tantos arranha-céusâ€.

São Paulo

O Edificio Copan foi um dos primeiros grandes projetos de Oscar Niemeyer, e rapidamente tornou-se um símbolo de São Paulo. O mesmo resultado pode ser visto em outros grandes centros por onde o arquiteto deixou suas curvas. Seus traços únicos e modernistas deram identidade às paisagens urbanas e são um ponto de referência para a população. Em São Paulo, o processo de urbanização careceu de planejamento, e o que se vê hoje é um emaranhado de ruas por entre sóbrios blocos de concreto. O Copan se destaca na desordenada paisagem Um passeio pelas cidades brasileiras revela a importÂncia e a beleza de Oscar Niemeyer por sua suavidade, mesmo que de proporções gigantescas. O edifício tambem é famoso por seu diversidade, nele moram executivos, trabalhadores humildes, artistas, garotas de programa e estudantes – uma evidência da concepção comunista do arquiteto.

No total são 1,160 apartamentos distribuídos em 32 andares, com uma população de cerca de cinco mil moradores. Um colosso, que já teve direito a menção no Guiness Book, e que conta também
com 70 lojas, restaurantes e até igreja. O contraste deste superlativo populacional se encontra no Parque do Ibirapuera, principal área verde de lazer da cidade. O projeto arquitetônico foi entregue a Niemeyer em 1951 e resultou na criação do Museu de Arte Moderna, o espaço cultural ‘Oca’ e o Pavilhão da Bienal. A última adição ao parque é o Auditório Ibirapuera, inaugurado em 2005, mais de cinquenta anos após planejado. Mais uma amostra da originalidade de Niemeyer, a casa de shows chama atenção pela ‘língua’ que sai de sua entrada e o uso flexível que seu formato triangular possibilita. Aos fundos do palco está uma porta de 20 metros de largura que quando aberta permite a realização de shows ao ar livre.

Se o Ibirapuera está no coração dos paulistanos, a outra grande intervenção de Niemeyer na paisagem da cidade, o Memorial da América Latina, divide opiniões. Criado com o intuito de estreitar as relações entre os países latino-americanos através de seu acervo e eventos culturais, o espaço não consegue atrair regularmente as multidões para o qual foi idealizado. A praça externa é destinada a festas típicas e espetáculos, uma área de 12 mil m² capaz de reunir 30 mil pessoas, o que para a professora e moradora da região Consuelo Sanegre é “desolador, um grande deserto
de concretoâ€. A resposta de Niemeyer é ríspida: “Quem deseja ver árvores que vá ao Jardim Botânico. No Memorial só há arquiteturaâ€.

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niemeyer, paulo, sao
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